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Microcontos

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Carlos Seabra microcontos minicontos contos celular nanoconto minificção microficção microtexto microconto literatura tecnologia comunicação

O maior trauma do vampiro narcisista era não poder se admirar ao espelho.


Lolita era tão terrível na arte da sedução que seu ursinho de pelúcia vivia morto de tesão.


A mulher-gorila fugiu com os irmãos siameses. Denunciados pelo dono do circo, eles foram presos por bestialismo e ela por bigamia.


Na biblioteca um único livro jamais havia sido retirado. Quando aquela criança o pegou, o bibliotecário dormiu seu último sono sorrindo.


Ele sonhou que era um soldado americano. Ao acordar, o pesadelo era muito pior. Ele era um prisioneiro em Guantánamo.


Que saudades da clandestinidade! - pensava o velho militante ao ver seus companheiros no poder.


Era um cornudo tão orgulhoso e machão que quando um cara não quis comer sua mulher encheu-lhe a cara de porrada.


Todo o dia ela via a novela. A cada capítulo se apaixonava mais pelo ator. Quando ele casou com a heroína ela resolveu dar para o vizinho.


Manuela chupava o sorvete muito lentamente. Mas quem se derretia eram os olhares que testemunhavam a cena.


O ministro era muito gordo e o coronel magro demais. Mas nunca fizeram média pois eram muito radicais.


Juquinha era o mais mal-comportado da classe. Ele fazia de tudo para ser castigado, só para ficar mais tempo com a professora.


A churrascaria não era das melhores. Até as coxas da garçonete pareciam mais suculentas que a picanha.


Quando a loira da minissaia cruzou as pernas, o taxista não pôde evitar a olhada no retrovisor nem a batida no cruzamento.


Ele foi para o governo e foi atacado por um tipo de amnésia que o fez esquecer de todos os amigos e compromissos antigos.


Que saudades da ditadura! - lamentava-se o humorista, cada vez mais suplantado pela realidade dos fatos.


A caneta estava sem tinta, mas suas palavras ainda eram tantas! Teve que continuar em vermelho, com o que ainda tinha nas veias.


Era tão vaidosa que, para tirar fotografias, gastava uma hora e meia ao espelho e outro tanto no Photoshop.


Aquele capataz era pau para toda a obra. Mas os operários viviam reclamando de serem enrabados a toda hora.


Ela estava tão preguiçosa que, naquele dia, quando o amante a convidou para sair, preferiu traí-lo com o próprio marido.


Numa tarde sem vento, de onde vinham tantas ondas naquele lago calmo? Um bote com dois namorados fornecia, mudo, todas as respostas.


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